O líder que ensinou o Brasil a vencer

Foi o capitão Zito quem acabou com o “complexo de vira-latas” e mostrou à seleção brasileira que é possível jogar bonito e ganhar

 

O jornalista Odir Cunha defende a tese – verdadeira, inquestionável – de que o Santos de 1962-1963, com sua formação clássica (Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe) foi o maior time do futebol mundial em todos os tempos. De fato, naquele período, o Peixe ganhou todos os títulos possíveis, bateu as maiores equipes europeias e sul-americanas, aplicou a mais sensacional série de goleadas por onde passou.

Foi um momento mágico do futebol mundial em que se demonstrou ser possível unir a eficácia ao espetáculo. O show ao resultado. O Santos não apenas jogava bonito, como nenhum outro time jogou antes ou jogaria depois, mas também ganhava as competições que disputava.

A seleção brasileira também teve um momento assim, quatro anos antes, na Suécia. Ao ganhar a Copa do Mundo pela primeira vez, os brasileiros aplicaram históricas goleadas contra seus adversários na semifinal, contra a fortíssima França, e na final, contra a equipe anfitriã.

Para quem acha que uma coisa (a arte) leva necessariamente à outra (a conquista), os desmentidos são inúmeros: a fantástica seleção húngara de 1954, batida na final da Copa pelos alemães; a revolucionária Holanda de Rinus Mitchels, que maravilhou o mundo em 1974 e perdeu o Mundial para a mesma Alemanha; e o Brasil de 1982, bonitinho mas ordinário. Os exemplos contrários – dos times sem charme mas vencedores – também são inúmeros, mas fiquemos com dois: a citada Alemanha de 1954 e o não-Brasil de 1994.

Tudo isso para dizer que também tenho uma tese: se Pelé foi o maior jogador de futebol de todos os tempos (e não me falem em Maradona, pelo amor de Deus), Zito foi o mais importante. É claro que a segunda afirmação não é tão fácil de sustentar. Mas também tenho meus argumentos, a começar pelo fato de que esses dois jogadores são o traço de união entre o Brasil campeão do mundo em 1958 e o Santos ganhador de tudo em 1962 e 1963. Nesses dois inigualáveis times, Pelé era a genialidade e Zito, o grande condutor.

O dramaturgo Nélson Rodrigues criou uma imagem para explicar a razão pela qual, até 1958, o Brasil jogava bonito mas não ganhava nada. Aqui mesmo, no cone sul da América, éramos fregueses de caderneta de argentinos e uruguaios, que nos surravam impiedosamente. Personalidade fraca? Baixa estima? Para o escritor, sofríamos de insuperável “complexo de vira-latas”.

Pois bem. Quem mudou essa história foi o nosso Zito. Foi ele quem transformou um time de cidade pequena, o Santos, no melhor e mais forte de São Paulo, do Brasil e do mundo. E foi ele quem deu caráter e espírito a uma seleção até então comandada por expoentes dos fracassos de 1950/1954, como Nílton Santos e Didi.

Zito foi a grande diferença de 1958. Só com Pelé e Garrincha, talvez a história se mantivesse. Foi ele quem mostrou aos companheiros que, além de jogar bem, poderiam ser vitoriosos. Não precisavam perder sempre. Zito odiava perder e, em toda a sua carreira, perdeu pouco. O ponto de vista carioca, que prevalece na crônica esportiva, perpetua a imagem de representantes das gerações perdedoras e esquece o nosso grande capitão. Aquele que não ergueu formalmente qualquer das taças, mas levantou definitivamente a cabeça do futebol brasileiro.

A maior torcida do país

O Peixe do bi mundial contra o Milan

No post de um blog santista, há referência a uma pesquisa nacional, feita pelo jornal carioca O Globo no início de 1969, para medir a paixão do torcedor brasileiro pelos seus times de futebol. Naquele ano, o Santos conquistaria o tricampeonato paulista, a Supercopa Mundial diante da Internazionale de Milão e Pelé comemoraria seu milésimo gol, em novembro. A seleção brasileira que se classificaria para ganhar o mundial do México era praticamente o time santista.

Talvez tenha sido a primeira pesquisa do gênero feita por aqui, e o resultado é inquestionável. O Santos ficou em primeiro lugar, com 49%, seguido de longe por Flamengo (menos da metade), Corinthians (ainda mais distante) e um grupo composto por São Paulo, Vasco, Palmeiras, etc. Do segundo para baixo, todos somados não alcançaram a votação do Peixe. Uma vantagem tão grande, que o insuspeito jornal foi levado a admitir: o Santos é o time mais popular do Brasil!

Há uns três anos, a sondagem foi tema de um programa esportivo, produzido e apresentado no Rio de Janeiro, por canal de TV do mesmo grupo. Mesmo assim, os dois comentaristas cariocas da mesa tentaram relativizar. A pesquisa não perguntou pra que time os brasileiros torciam, alegaram. Quis simplesmente saber de que time os brasileiros mais gostavam. Papo furado. A grande “torcida” que o Flamengo sempre teve no Norte-Nordeste é formada por torcedores de times locais, que também simpatizam com o clube que revelou Toró. E o time da Gávea, antes, durante e depois, foi sempre considerado o mais popular do Brasil.

Coisa pior, entretanto, estava por vir. E veio. Foi quando o apresentador mostrou uma escalação do Santos daqueles anos e perguntou: dá pra cravar que esse foi o melhor time brasileiro de futebol? A resposta óbvia é: “Não, imbecil, esse não foi o melhor time brasileiro. Esse é o melhor time de todos os tempos no mundo!

Mas, como esqueci de dizer, os outros integrantes da mesa eram botafoguenses, e ambos foram rápidos: Não, não dá para cravar o Santos como melhor time brasileiro, disseram. “Jogador por jogador…”, começou um. “O Santos conquistou mais títulos, é verdade…”, emendou o outro. “Mas o Botafogo teve Garrincha, Didi, Nílton Santos…”, concordaram ambos, chegando afinal ao ponto. O que eles queriam era nivelar o Peixe ao seu grande freguês.

Então, combinaram, ganhar mais títulos não seria critério para se medir superioridade, ainda que o Santos tenha conquistado todos os títulos e nada tivesse deixado para o suposto rival. E ainda que quase todos tenham decorrido de surras aplicadas justo nesse adversário. É muita cara de pau!

No quesito escalação, no qual os botafoguenses se consideram em vantagem, a comparação é ainda mais risível, e cruel. O Santos anos 1960 teria Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito (Clodoaldo) e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Toninho), Pelé e Pepe (Edu). Com exceção de Dalmo, todos campeões com a seleção, e todos, Dalmo incluído, detentores de títulos mundiais. Todos mais vitoriosos do que o mais vitorioso botafoguense.

Pelé e o milésimo: outra festa santista no Maracanã

A visão regional produz cada ideia! Talvez quisessem estabelecer a seguinte maluquice: o Santos foi o melhor time do mundo, mas na mesma época o Botafogo foi o melhor time do Brasil. Interessante! O problema é que o Botafogo, naquele tempo e em nenhum outro, sequer foi o segundo melhor por aqui. Já então, o Palmeiras tinha mais time e ganhava mais títulos do que o time carioca, que, como diz seu hino, é campeão de 1910.

Botafogo, para mim, sempre foi sinônimo de alegria. Desde a primeira vez em que vi os dois em confronto direto na Vila. Rio-São Paulo de 1957. O Santos de Álvaro, Tite, Dorval, Pagão e Del Vecchio enfiou 5 a 1 no time de Nílton Santos, Didi, Garrincha, Paulo Valentim e Quarentinha. Pelé também jogou, mas tinha só 16 anos e nem precisou marcar.

PELÉ ETERNO

Por estes dias, procurando preencher a grade da programação esportiva, um canal de televisão reapresentou o filme Pelé Eterno, de Aníbal Massaíni Neto, lançado em 2004. Na época, escrevi uma crítica para um blog santista e agora, também por falta de temas atuais, volto ao assunto.

No cartaz do filme e com o pai Dondinho, na Vila

Os gols estão lá, em grande quantidade. Alguns inéditos, como os de um esquecido torneio vencido pelo Santos em Nova York, 1966, logo após o fracasso da seleção brasileira no mundial da Inglaterra, com goleadas de 4 sobre Benfica (praticamente a seleção portuguesa que nos surrou na Copa) e Inter de Milão. Tem até os dois gols antológicos que se perderam, como aquele que concluiu uma sucessão de chapéus sobre quatro juventinos, na distante Rua Javari do final dos anos 1950. Este, reproduzido com os recursos da computação gráfica, dá uma boa ideia do que foi a jogada, da qual resta hoje a foto de um dos irmãos Herrera (Rafael? Paco? José?) e raríssimas testemunhas.

Está lá, também, o famoso gol de placa no Maracanã, início dos anos 1960, fechando a goleada sobre o Fluminense, estranhamente surrupiado do vídeo quase integral da partida ainda existente. Neste caso, a recriação contou com a participação de atores, em cenas que se fundem às imagens reais e tentam refazer o percurso do craque e da bola, desde a zona defensiva do seu time até o fundo das redes adversárias. Mas aqui o resultado não é tão bom. Vale pelo registro, como a dizer que aquele momento mágico do futebol realmente aconteceu. Não foi uma simples fantasia perpetuada no bronze.

Não faltam, ainda, as jogadas fabulosas, mesmo quando não resultaram em alguns dos 1.200 e tantos gols, e registram-se praticamente todos os grandes momentos do biografado, em campo ou fora dele. Festas, homenagens, honrarias e condecorações; encontros com as maiores autoridades mundiais, do Papa a presidentes norte-americanos, reis e rainhas. Da guerra interrompida na África a incidentes meramente pitorescos, como o do juiz que ousou expulsá-lo de campo na Colômbia e acabou expulso pelo público.

Fica-se sabendo que o jogador falava enquanto dormia e que o monólogo noturno frequentemente terminava em escandalosos gritos de gol, interrompendo o sono dos companheiros de pensão. Nesse capítulo, surge o ponta Dorval, num dos depoimentos mais divertidos das duas horas de projeção: “O negão já ia marcando antes de entrar em campo”, diz, mais ou menos. De passagem, fala-se das famílias do Rei (com ênfase no clã formado por Dona Celeste e Dondinho, mas não deixando de mencionar as duas filhas fora dos casamentos e as inúmeras namoradas) e, só para constar, dos seus insucessos no terreno empresarial.

Na minha opinião, nem era preciso enveredar por este último campo. Se a intenção era fazer a documentação definitiva do Pelé Eterno, a história poderia terminar naquela noite de 1974, na Vila, em que o jogador ajoelhou-se no centro do gramado e disse adeus ao Santos. A partir daí, entra em cena o empresário. Este, embora não se possa dizer que tenha sido um fracasso (afinal, fez o Pelé de terno e gravata ganhar mais dinheiro do que o seu xará de chuteiras), está bem longe de merecer as mesmas reverências.

Admitindo-se, então, que haja apenas esse pequeno excesso e aceitando-se que a genialidade do jogador esteja mais do que suficientemente demonstrada no turbilhão alucinante de gols e jogadas indescritíveis (para enterrar de vez quaisquer tentativas de comparações), o que falta ao Pelé eterno para me satisfazer? Há, principalmente, motivos de ordem pessoal para a minha insatisfação com o filme. O principal é que tive a felicidade de acompanhar muito de perto toda a carreira do Rei, desde o seu nascimento para o futebol até as consagrações do milésimo gol e do tricampeonato mundial no México.

Muitos daqueles gols e lances eu vi com meus próprios olhos, a quente, no momento em que aconteceram. Então, por esse lado, o filme não me surpreende. É demasiado frio. Ao vivo nas arquibancadas ou nas imagens precárias da TV da época, minha emoção foi muito maior.

É chato ser Brasileiro!

Nelson Rodrigues foi jornalista e escritor, contista e cronista dos costumes e do futebol. Nasceu no Recife em 1912 e morreu no Rio de Janeiro em 1980. Publicou nos principais jornais do país e diversas de suas obras impressas e escritas para o teatro (é considerado um dos principais dramaturgos brasileiros) viraram filmes, entre eles Boca de ouro, Bonitinha mas ordinária, A falecida, A dama do lotação, O beijo no asfalto, Toda nudez será castigada, Álbum de família e Vestido de noiva. Neste terceiro texto que reproduzo, ele comemora a conquista da Copa na Suécia, em 1958. Foi publicado na revista Manchete Esportiva.

O escritor em livros e filmes

Dizem que o Brasil tem analfabetos demais. E, no entanto, vejam vocês: − a vitória final, na Copa da Suécia, operou o milagre. Se analfabetos existiam, sumiram-se na vertigem do triunfo. A partir do momento em que o rei Gustavo da Suécia veio apertar as mãos dos Pelés, dos Didis, todo mundo aqui sofreu uma alfabetização súbita. Sujeitos que não sabiam se gato se escreve com “x” iam ler a vitória no jornal. Sucedeu essa coisa sublime: − analfabetos natos e hereditários devoraram vespertinos, matutinos, revistas e liam tudo com uma ativa, uma devoradora curiosidade, que ia do “lance a lance” da partida até os anúncios de missa. Amigos, nunca se leu e, digo mais, nunca se releu tanto no Brasil.

E a quem devemos tanto? Ao escrete, amigos, ao escrete que, hoje, é o meu personagem da semana, meu múltiplo personagem. Personagem meu, do Brasil e do mundo. Graças aos 22 jogadores, que formaram a maior equipe de futebol da Terra em todos os tempos, graças a esses jogadores, dizia eu, o Brasil descobriu-se a si mesmo. Os simples, os bobos, os tapados hão de querer sufocar a vitória nos seus limites estritamente esportivos. Ilusão! Os 5 x2, lá fora, contra tudo e contra todos, são um maravilhoso triunfo vital de todos nós e de cada um de nós. Do presidente da República ao apanhador de papel, do ministro do Supremo ao pé-rapado, todos aqui percebemos o seguinte: − é chato ser brasileiro!

Já ninguém tem mais vergonha de sua condição nacional. E as moças na rua, as datilógrafas, as comerciarias, as colegiais, andam pelas calçadas com um charme de Joana D’Arc. O povo já não se julga mais um vira-latas. Sim, amigos: − o brasileiro tem em si mesmo uma nova imagem. Ele já se vê na generosa totalidade de suas imensas virtudes pessoais e humanas.

Vejam como tudo mudou. A vitória passará a influir em todas as nossas relações com o mundo. Eu pergunto: − que éramos nós? Uns humildes. O brasileiro fazia-me lembrar aquele personagem de Dickens que vivia batendo no peito: − “Eu sou humilde! Eu sou o sujeito mais humilde do mundo!”. Vivia desfraldando essa humildade e a esfregando na cara de todo mundo. E, se alguém punha em dúvida a sua humildade, eis o Fulano esbravejante e querendo partir caras. Assim era o brasileiro. Servil com a namorada, com a mulher, com os credores. Mal comparando, um são Francisco de Assis, de camisola e alpercatas.

A festa na rua e o trio santista: Zito, Pelé e Pepe

Mas vem a deslumbrante vitória do escrete e o brasileiro já trata a namorada, a mulher, os credores de outra maneira; reage diante do mundo com um potente, um irresistível élan vital. E vou mais além: −diziam de nós que éramos a flor de três raças tristes. A partir do título mundial, começamos a achar que a nossa tristeza é uma piada fracassada. Afirmava-se também que éramos feios. Mentira! Ou, pelo menos, o triunfo embelezou-nos. Na pior das hipóteses, somos uns ex-buchos.

E a quem devemos tanto? Ao meu personagem da semana. Ninguém aqui admitia que fôssemos os “maiores” em futebol. Rilhando os dentes de humildade, o brasileiro já não se considerava o melhor nem de cuspe a distância. E o escrete vem e dá um banho de bola, um show de futebol, um baile imortal na Suécia. Como se isso não bastasse, ainda se permite o luxo de vencer de goleada a última peleja. Foi uma lavagem total.

Outra característica da jornada: − o brasileiro sempre se achou um cafajeste irremediável e invejava o inglês. Hoje, com a nossa impecabilíssima linha disciplinar no Mundial, verificamos o seguinte: − o verdadeiro inglês, o único inglês, é o brasileiro.

[Manchete Esportiva, 12/7/1958]

Complexo de vira-latas

Na última crônica antes da estreia do Brasil na Copa de 1958, o cronista Nélson Rodrigues explica a síndrome que, segundo ele, abatia a seleção.

Jogadores de 1958 na fase de preparação em Minas Gerais

Hoje vou fazer do meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: − “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: − não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?

Eis a verdade, amigos: − desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente os uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação, nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: − menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou de nós o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: − “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.

E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: − é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: − o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: − se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.

Mas vejamos: − o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade: − eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: − sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: − não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.

Djalma Santos, Zito e Pelé

é a seguinte: − qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: − temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: − “O que vem a ser isso?”. Eu explico.

Por “complexos de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: − e perdemos de maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: − porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.

Eu vos digo: − o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: − para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

[Manchete Esportiva, 31/5/1958]

A Realeza de Pelé

Sobre Santos 5 a 3 América, em 25 de fevereiro de 1958, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo, Nelson Rodrigues escreveu sua primeira crônica tendo Pelé como tema. Nela, pela primeira vez o Rei foi chamado de rei. É um dos três textos que reproduzirei em sequência, assinados pelo escritor e jornalista apaixonado pelo futebol, esporte que analisava com visão carioca. Foram publicados na revista Manchete Esportiva, em 1958, antes e depois da conquista da Copa na Suécia.

Pelé em 1957

Depois do jogo América X Santos, seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade Albert Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: − dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, como mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: − verdadeiro garoto, meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: − ponham-no em qualquer rancho e a sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.

O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: − a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola, e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: − “Quem é o maior meia do mundo?”. Ele respondeu, com ênfase das certezas eternas: − “Eu”. Insistiram: − “Qual é o maior ponta do mundo?”. E Pelé: − “Eu”. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabulosos craque põe no que diz uma tal carga de convicção, que ninguém reage e todos passam a admitir que eles seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias, no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.

Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América X Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: − “Vá jogar assim no diabo que o carregue!”. De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio de campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para a frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: − sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: − a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.

Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo, que faz Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, quem vem os seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e mesmo insolente que precisamos. Sim, amigos: − aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.

Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a fotografia de um e outro time entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós.

[Manchete Esportiva, 8/3/1958]

O fim da história da máfia

No post anterior, contei a história da falsa “máfia do apito”, pretexto usado pelo STJD para fraudar o campeonato e dar o título do brasileirãode 2005 ao Corinthians. Mas faltou falar da conclusão do caso. Quatro anos depois, a Justiça arquivou o processo. Com o voto de todos os seus juízes, o Tribunal de Justiça de São Paulo encerrou por unanimidade a ação penal sobre o grupo ligado a apostas ilegais, que supostamente interferia no resultado de alguns jogos de futebol. Para a Justiça, não havia o que julgar e os réus do processo ficaram livres da acusação.

A denúncia, publicada pela revista Veja em capa de 24 de setembro de 2005, resultou na anulação de 11 jogos do campeonato brasileiro, por determinação do STJD. Os jogos foram novamente disputados e provocaram profunda mudança na classificação. No fim, o beneficiado foi o Corinthians, então financiado por uma suspeita organização internacional (MSI), que acabou campeão.

Veja recebeu a denúncia da suposta fabricação de resultados dos jogos em abril, quando Ministério Público e polícia já escutavam as conversas telefônicas dos acusados. As investigações prosseguiram por cinco meses e o que se conseguiu apurar foi relatado pela revista.

No mesmo sábado, o agente de apostas Nagib Fayad, o Gibão, e o árbitro de futebol Edílson Pereira de Carvalho foram presos preventivamente e interrogados ao longo de cinco dias. Em 11 de outubro, o Ministério Público e a polícia admitiram que os interrogatórios nada acrescentaram. De acordo com as autoridades, as novidades foram declarações de Edílson à imprensa, relatando pressões que teria sofrido na FPF e na CBF, para ajudar determinados clubes.

Nada a ver, portanto, com a suposta quadrilha comandada por Gibão. Mas muito mais grave para op futebol. No entanto, a justiça esportiva não se interessou pelo assunto. Para ela, o testemunho de Edílson só valeu quando se auto incriminou. Quando envolveu a federação e a confederação, perdeu o valor.

Na esfera federal, abriu-se outra interessante linha de investigação. O Ministério Público queria saber o que levou o presidente do STJD, Luiz Sveiter, a contrariar a legislação esportiva e anular os 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho. Havia fundadas razões para se suspeitar da decisão. Mas essas suspeitas não foram levadas adiante.

Quatro anos depois, processo arquivado, o árbitro saiu ileso: sua única pena foi perder o vínculo com as FPF. Da minha parte, lamentei a investigação não ter extrapolado o episódio menor protagonizado por dois pobres-diabos e avançado na direção dos escandalosos favorecimentos patrocinados pelo STJD de Sveiter e das armações feitas na CBF, sempre em benefício dos mesmos clubes. Se a investigação tivesse prosseguido, o futebol brasileiro passaria por um processo de moralização e, aí sim, ganharia credibilidade.

Sveiter, por exemplo, não teria deixado o STJD por conveniência própria. Herbert Roberto Lopes estaria banido do quadro de árbitros, junto com Márcio Resende de Freitas, pois ambos foram incluídos por Edílson na lista dos fabricadores de resultados a mando da CBF. E a sujeira de 2005 estaria apagada da história, com a punição do consórcio Corinthians/MSI.

 

A máfia de 2005 não foi a do apito

Por estes dias, há 15 anos, começava a se desenrolar uma das maiores farsas já vistas no futebol brasileiro. Foi o escândalo da chamada “máfia do apito”, investigado e rapidamente esclarecido pela polícia paulista. Com o trabalho policial encerrado, o caso chegou à capa da revista Veja em setembro de 2005. E só então, com as interferências de Luiz Sveiter, presidente do STJD na época, e da TV Globo, pela voz de Galvão Bueno, as falcatruas viraram de fato um escândalo.

Para o futebol, as consequências mais perniciosas foram a anulação indevida de pelo menos oito partidas do campeonato brasileiro de 2005 e o favorecimento ao Corinthians, que levou o título com a recuperação de pontos perdidos nos jogos originais. Note-se que o time campeão não foi prejudicado em qualquer dos onze jogos colocados sob suspeita, de acordo com a investigação policial.

A história tinha como personagens centrais o árbitro Edílson Pereira de Carvalho e um agenciador de apelido Gibão, apresentado como empresário, mas que de verdade não passava de um picareta. Em suma, dois espertinhos, que se associaram para faturar uns trocados em apostas pela internet. De Edílson, cinco meses de escutas e interrogatórios traçaram o perfil de um pequeno meliante.

Maiores do que suas pequenas contribuições para a adulteração de poucos jogos, tudo confessado em detalhes para a polícia, seus golpes mais notáveis foram a falsificação de um diploma colegial de segundo grau e a obtenção de um atestado de ocupação forjado. Coisas de bandido pés-de-chinelo, mas foi com esses documentos que Edílson pôde ingressar no quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol e subir rapidamente na carreira.

Seu comparsa também estava distante da figura de um “poderoso chefão”. Ex-kartista absolutamente desconhecido no meio automobilístico, fracassado em tentativa de se eleger vereador em Piracicaba, o “empresário” Gibão que emergiu das conversas telefônicas gravadas era quase uma piada. Um marquinhos valério do agenciamento de fundos para financiamento de apostas clandestinas.

A “quadrilha” era, pois, basicamente formada por dois pobres diabos, cuja parceria só poderia dar no que deu: uma lambança rapidamente detectada pelos donos das bancas de jogos. Quando Veja circulou com a denúncia, o esquema não mais funcionava, porque as partidas apitadas por Edílson haviam sido excluídas das apostas. Tempos depois, o inquérito policial foi arquivado, sem qualquer acusação contra o juiz, penalizado apenas com a exclusão da FPF.

Dos 11 jogos que apitou naquele campeonato, Edílson aceitou ou se ofereceu para interferir em cinco ou seis resultados. Na prática, teve atuação decisiva em metade destes jogos. Em dois, entrou premeditado em campo, mas nada pôde fazer. Em Caxias do Sul, chegou a inventar um pênalti perdido pelo Juventude local. O visitante Figueirense ganhou de 4 a 1, numa tarde em que “o Edmundo jogou muito”, como confessou.

Outro resultado que o juiz não conseguiu mudar, conforme combinado com Gibão, foi a goleada de 4 a 2 do Santos sobre o Corinthians. Na Vila Belmiro, Edílson só teve de esperar 20 segundos para perceber que sua missão seria impossível. Fulminante, o Peixe levou esse tempo para abrir o marcador e, comandado por Giovanni, manter o controle da partida até o fim. Vê-se que Edílson não era, assim, um Márcio Resende de Freitas.

Mesmo nos jogos em que admitiu ter modificado o resultado, suas atuações não foram tão escandalosamente parciais. Cometeu erros dentro da média da arbitragem brasileira, inclusive em prejuízo de times que supostamente deveria beneficiar. Nunca foi punido pela CBF e nem as mesas redondas dos domingos duvidaram de sua honestidade, apesar da liberdade com que discutem a honra alheia. Não fossem as escutas policiais, a capa de Veja e a confissão, talvez tivesse recebido da mídia o prêmio de apitador do ano.

Esse é o modus operandi da máfia verdadeira. Só em último caso, ela forja situações. Na maioria das vezes, basta manipular os acontecimentos em favor de seus interesses. No Brasileirão de 2005, a reportagem assinada por André Rizek, hoje apresentador do canal SporTV da Globo, e publicada na Veja em 24 de setembro, foi o pretexto usado.

No mesmo fim de semana da divulgação do caso, Sveiter anunciou a formação de uma comissão para analisar uma a uma as onze partidas apitadas pelo juiz, e tomar decisões pontuais. Mas voltou atrás dois dias depois, quando Galvão Bueno exigiu a anulação de todas as partidas. O presidente do STJD obedeceu e colocou o título no colo do Corinthians.

Uma noite em Caracas

Lembrei outro dia da excursão que o Santos fez em 1970 pelas Américas, com um time praticamente reserva, pois metade dos titulares estava com a seleção no México. A estreia aconteceu em 7 de maio, em Caracas, Venezuela, contra o Vitória de Setúbal, numa noite surreal.

A capital venezuelana estava sob greve geral e os estudantes ocupavam a Cidade Universitária, em cujo estádio se realizaria o jogo. As ruas no entorno estavam bloqueadas com galhos de árvores e, por toda a cidade, piquetes de trabalhadores impediam a circulação do transporte coletivo.

Orlando, Djalma Dias e Abel na excursão de 1970

Quando entramos na Cidade Universitária, fomos recebidos pelos estudantes com uma chuva de pedras. Pânico, todos se jogando no corredor do ônibus, cobertos de estilhaços de vidro. As janelas que sobraram foram em seguida quebradas a pau pelos rapazes, que nos cercavam.

Não houve feridos e, no meio da negociação que acabou assegurando a continuação da nossa viagem até o estádio, uma voz inconfundível e insistente se destacou do nosso lado: “Calma. Párem. Yo soy brasileño”. Era o zagueirão Ramos Delgado, tão apavorado quanto os companheiros.

Os portugueses do Setúbal receberam o mesmo tratamento mas, ao contrário do Santos, decidiram voltar ao hotel e fazer uma série de exigências para participar do jogo. Cobraram inclusive o pagamento antecipado de sua cota. Com tudo isso, o jogo atrasou mais de uma hora.

Quando finalmente entraram em campo, meio time exibia vistosas bandagens na cabeça, braços e pernas. Parecia um exército que chegava batido da guerra. Pura encenação, como pudemos ver a partir do momento em que o juiz apitou o início.

Os portugueses deram um baile e venceram por 3 a 1, com atuações impressionantes de dois negros. Um deles era o ponta-Jacinto João, que naquela noite estava mais endiabrado que o Garrincha e o Edu juntos.

Tantos Santos!

Um site perguntou aos seus blogueiros, que eu saiba nenhum deles santista, qual é o melhor time brasileiro da história da Libertadores. Deu Santos por larga margem, na verdade a quase unanimidade, e não poderia ser diferente.

Se o Santos do bi continental e do bi mundial já era, e ainda é, o maior time do planeta em todos os tempos, como algum dos entendidos poderia indicar, por exemplo, o Flamengo? O representante carioca é dono de uma mísera Copa, diferente de São Paulo, do Grêmio e do próprio Peixe, que colecionam três cada?

Além de tudo, um título ilegítimo, conquistado após resultados fraudados pela arbitragem, nas fases classificatórias. E obtido em três jogos contra um tal Cobreloa (?) chileno. Pois um blogueiro solitário votou no clube que revelou Toró. Dá para entender: nas folgas, ele vai fantasiado torcer pelas cores do seu coração.

O episódio me leva a entrar na moda e, aproveitando a recessão do futebol, escalar os melhores times que vi jogar. Times do Santos, que acompanho desde metade da década de 1950, e que são imbatíveis inclusive diante das melhores seleções brasileiras, as de 1958 e 1970, ambas uma espécie de Peixe desfalcado.

Então, lá vai o melhor que vi jogar: Cejas, Lima, Joel Camargo, Marinho Peres e Léo; Clodoaldo, Pita e Giovanni; Dorval, Pagão e Robinho.

Ops, me enganei. Na verdade, esse é o que antigamente se chamava segundo quadro. O primeiro é o seguinte: Gilmar, Carlos Alberto, Mauro, Calvet e Edu; Zito e Mengálvio; Neymar, Coutinho, Pelé e Pepe.

O truque de escalar o ponta Edu na lateral esquerda, para não cometer o crime de deixá-lo fora, é do Tostão. E eu acompanho.

O legal é que dá para formar um terceiro time, quase tão genial quanto os dois primeiros: Rodolfo Rodrigues, Ramiro, Ramos Delgado, Alex e Dalmo; Dema, Antoninho Fernandes, Diego e Aílton Lyra; Chulapa e Abel.

Vejam que ficaram de fora o goleiro Cláudio, os zagueiros Formiga, Orlando Peçanha e Djalma Dias, os laterais Geraldino, Ismael, Rildo, Danilo e Alex Sandro; os meias Álvaro, Brecha e Ganso; e os atacantes Nilton Batata, Manoel Maria, Odair Titica, Vasconcellos, Del Vecchio, Juary, Toninho Guerreiro, Cláudio Adão, Eusébio e João Paulo.

Além dos muitos que certamente esqueci, ou não vi jogar, como Athié, Arnaldo Silveira, Feitiço, Ary e Araken Patusca. Entre estes estão os santistas das primeiras seleções brasileiras, na segunda década do século passado; a mitológica linha dos 100 gols, de 1927; e os campeões de 1935, ídolos gigantes de um passado mais distante.

Falando sério, o Santos dos esquecidos seria suficiente para encarar o primeiro quadro de todos os tempos de qualquer outro time ou seleção.