De golpe em golpe, e o país que se dane!

Se Celso de M… pode comparar o Brasil atual à Alemanha dominada pelos nazistas nos anos 1930, posso perguntar que diferença existe entre o nosso país e as repúblicas bananeiras caribenhas, centro e sul-americanas, que fazem o sucesso dos escritores do nosso continente? Existe diferença? Talvez o que nos distingue seja o fato de que as quarteladas não são tão comuns por aqui. Mas os golpes e tentativas se sucedem com igual velocidade.

Mal a democracia brasileira foi reinstalada, após esboroar-se por si mesma a ditadura militar, lépidos tratamos de derrubar o primeiro presidente legitimamente escolhido em eleição direta. OK, o cara era inacreditável! Mas em seguida todos os outros sofreram ameaças ou tentativas de impeachment. Os mesmos que se unem para derrubar um, logo estão em fronts opostos, tentando pôr pra fora o beneficiário do golpe. “Governo bom é só o meu”, parecem dizer. São mais de 30 anos de inconformismo com o voto popular.

Enquanto o Brasil viver entre disputas eleitorais que, anunciados os resultados, se transformam em campanhas pela derrubada do eleito, dificilmente sairemos do atraso político e institucional em que nos afundamos mais e mais. É uma tristeza! Alegam os eternos golpistas que assim agem para corrigir o voto errado dos eleitores, que não sabem escolher a melhor opção disponível e colocam gente errada no poder. Conversa mole! Desculpa de quem só quer usar a democracia para chegar lá e nunca mais largar o osso.

O pessoal do PSDB previa, com a eleição de FHC, uns vinte anos dos tucanos no comando do país. Conseguiu oito anos, por causa da reeleição obtida no conchavo com parlamentares do chamado baixo clero. Zé Dirceu, que quis apear um ex-aliado do cargo ainda no primeiro mandato, pensava maior para o seu PT: 30 anos no poder. Quase conseguiu, com injeções de mensalão e petrolão. Pena! O sonho acabou no tsunami Dilma, que levou partido e país para o ralo!

No caso do lulopetismo, em suas eleições e reeleições, o golpe foi aplicado no eleitor, que só comprou gato por lebre. O Lulinha paz e amor, tal como foi travestido pelo marqueteiro do malufismo, logo se transformou no presidente que comandou o maior saque da história do Brasil, desde que os portugueses entregaram o ouro das Gerais para os ingleses. Dilma, por sua vez, ganhou duas eleições em campanhas sórdidas, movidas a fake news, à altura dos adversários Serra e Aécio. Na última, prometeu uma coisa e fez o oposto, exatamente aquilo que, segundo esbravejava na tv, os adversários fariam se eleitos.

Foi derrubada antes da metade do prazo de validade, e virou inimiga do próprio vice, que assumiu conforme manda a Constituição. Como teve os direitos políticos mantidos pelo companheiro Lewandowski, indicado ao STF pela falecida mulher do antecessor, engrossou o clamor pela redução da permanência de Temer na cadeira presidencial. Vestiu direitinho o figurino golpista, costurado sob medida para seus companheiros da esquerda.

Se entre si aplicam rasteiras, como esperar outro comportamento diante de um estranho no ninho. Bem ou mal, Bolsonaro rompeu com a alternância do PSDB e do PT no governo federal, o que é inaceitável para ambos. Anunciados os votos de outubro de 2018, já se falava em impedir a posse. Quando esta se tornou inevitável, começou a campanha de desgaste, preparatória da armação de futuros pedidos de impeachment.

O movimento em curso parece caminhar para o êxito, tanto mais que dela participam a grande mídia e o Supremo Tribunal Federal, em cumplicidade com os corruptos que têm o rabo preso até o último fio do pelo sujo. A malandragem conta também com o desonesto uso da pandemia para fragilizar o governo. E é assim, vergastando a cada ciclo as instituições democráticas, que os calhordas dizem querer ensinar o povo a votar. Pobre Brasil!

Não é o eleitor que precisa aprender a votar. São os políticos, as autoridades e as instituições que devem seguir as regras. Sem roubar no jogo!

Celso de M… defende Weintraub

Outro dia, o honorável decano do STF, o tal juiz de merda da história (alô, alô, PCC, sem retaliação, não sou eu quem fala, faço apenas uma citação) disse com as tortuosas palavras dele que o governo está instaurando o nazismo no Brasil. Ficou por isso mesmo! Ele atacou de maneira grave outro poder da República e nada aconteceu. Segue, inclusive, à frente de inquéritos contra um presidente a quem demonstra tanto apreço. Mostra que Saulo Ramos está coberto de razão.

Embora não corra qualquer risco, dadas as imunidades de que goza e graças ao corporativismo de seus iguais do STF, o merda, digo, o ministro do Supremo alegou que falava como um cidadão qualquer, não como magistrado. Daí não se sentir impedido de conduzir processos contra o presidente e o governo, da mesma forma como ninguém deve considerar as palavras dele, o juiz de merda conforme elogiado em livro, um ataque indevido do judiciário ao Executivo.

Se está criada uma jurisprudência nessa posição do Celso de … Mello, o ex-ministro Weintraub dispõe de uma defesa imbatível no processo que a corte move contra ele. Basta dizer, singelamente, que pediu a prisão dos vagabundos como pessoa física, não como integrante do governo Bolsonaro. Exerceu apenas o direito de qualquer cidadão de dizer o que pensa. O cidadão não cometeu crime, e o ministro não caluniou nem ofendeu instituição alguma.

Embora sua palavra valha tanto quanto a do M… ello. Nada!

O nome é safadeza e o sobrenome, desonestidade

Mantenho uma curiosidade que nada tem de mórbida ou sádica. Quais são os números da covid-19 nos presídios, nas favelas brasileiras e na cracolândia paulistana? Se é verdade que as aglomerações humanas são fortes condutoras na transmissão do vírus, o que faz sentido, a situação nesses lugares deve ser muito pior do que nas cidades em que a realidade parece mais grave.

No entanto, as informações sobre essas populações são escassas. Acredito não ser difícil levantar esses dados regularmente. A apuração não exige grande empenho e tem a vantagem de dispensar o uso de aparatos cenográficos por repórteres e entrevistados, sem perigo de contaminação. Basta um contato telefônico banal com as fontes da área, como o jornalismo faz há décadas.

Ao que sei, a chamada grande mídia pouco se ocupa do assunto, a não ser para produzir relatos e cenas impressionistas, sem qualquer sustentação numérica. Parte da população encarcerada foi liberada pela justiça, sob a alegação de integrar grupos de maior risco. Não se sabe, porém, qual o tamanho do impacto da doença dentro das prisões, embora sejam frequentes as notícias de que criminosos liberados voltam a delinquir.

A cracolândia e os pontos de atendimento às populações de rua em São Paulo são outro mistério. De vez em quando, a televisão mostra a movimentação por lá, mas sem informar se são altos o contágio e a mortalidade. Na falta de jornalismo; sobram opiniões e comentários sem conteúdo. Nas chamadas “comunidades”, a desinformação é igual. Mostram-se, com as cores do sensacionalismo vulgar, as condições precárias de moradia das pessoas, desprovidas de recursos para higiene básica, como água e sabão. E só.

Quando a pandemia chegava aqui, baseada justamente na sensação de que não haveria como conter o avanço da covid-19 sobre as vastas populações carentes, uma instituição inglesa fez previsões alarmantes. O agouro foi replicado no blog de um pesquisador e chegou à grande mídia. Logo depois, as fontes deram o dito por não dito, mas o noticiário já estava contaminado também pela militância política da s empresas de comunicação e de alguns profissionais. A doença ganhou viés ideológico, ao invés de ser combatida.

É sempre bom lembrar que tais informações, bem como todas as ligadas ao assunto, são apuradas pelos municípios e pelas autoridades estaduais. Para que se possa ter uma visão nacional do problema, elas são ou deveriam ser repassadas todo dia ao Ministério da Saúde, órgão que tem a incumbência de totalizar os dados e divulgar o panorama geral. Por desencontros na chegada dos dados regionais, a divulgação diária passou por percalços, o que bastou para o governo federal ser acusado pela banda golpista de tentar ocultar os números, sonegar informações e minimizar a doença.

Daí a acusarem o presidente de ser o criador da covid-19 foi um passo curto. Na verdade, a acusação já era feita ao governo federal, que também carrega a inacreditável fama, pregada em suas costas pela grande mídia e pela politicalha oportunista, de criador de todas as mazelas nacionais em apenas ano e meio. Convenhamos que se trata de enorme façanha, pois teria superado o que o lulopetismo fez em 16 anos. Ou seja: os estragos comprovados que afundaram o país e levaram o ex-presidente à cadeia e sucessora à perda do mandato.

Safadeza é o nome dessa gente e desonestidade, o seu sobrenome.

O que seria dessa gente sem o pensamento único?

Trocas de ideias, debates e principalmente bate-bocas, quando os ânimos se exaltam, são reveladores da sinceridade dos que estão sempre prontos a sacar um “em defesa da democracia”, um “pela liberdade de expressão”, um “abaixo o fascismo”. A vantagem dos que se colocam atrás de palavras de ordem, mesmo desconhecendo os significados e a prática de tão chamativas bandeiras, é cativar o gado. Pois a manada adora o rugido monótono do berrante, e segue feliz da vida, crente que tem causa.

Uma das melhores apostas do momento, poule de 10, tiro e queda, é fustigar o governo e culpar o presidente por todas as nossas desgraças. É claro que ele não se cansa de dar motivos para a pauleira, mas responsabilizá-lo pela miséria secular do país e pela pandemia que a todos os povos aflige não são apenas insanidades. São desonestidades explícitas. Percebe-se, assim, que o vírus tem no país serventia adicional, além de contagiar e matar pessoas. Também serve, não custa tentar, para derrubar mandato legítimo. Para usar uma imagem do meu tempo, é como chegar na domingueira na casa da garota mais desejada da rua e pôr pra rodar o último Beatles. Sucesso pra mais de semana, até que apareça novidade maior. Rei morto, rei posto! – e segue o baile.

Esta semana, alguém reproduziu no facebook um texto sobre a união de alguns veículos da grande mídia, alegadamente para dar “transparência” à divulgação dos números da covid-19 no Brasil. Achei bizarra a associação da palavra transparência à mídia mais tendenciosa que já tivemos. Nem na época do Marronzinho e do finado Notícias Populares se viu coisa igual. E olha que, para estes, jornalismo mundo cão era estilo desejado, não desvio. A mídia atual tenta encobrir sua prepotência com rótulos bonitos e recebe o apoio de entidades antes respeitáveis, como ABI e OAB, além de políticos oportunistas e membros do Supremo mais rastaquera da história brasileira.

Limitei-me a colocar esse estranhamento em curto comentário, e recebi pronta descompostura da dona do pedaço. Ela disse que não aceita opinião fascista, a favor da censura, no espaço dela. É lógico que logo recebeu o apoio de seguidores, o tal gado, entre os quais não sei se continuo incluído. Fui chamado de reacionário, defensor do AI-5, ideologicamente imprestável, adepto da tortura e desmerecedor da menor simpatia, mesmo misericordiosa. Paredón, decretou um militante raiz. Que seja cancelado, condenou um nutela antenado. Foi um cala-boca em regra. Não me queixo, porém, do apagamento.

O sentimento que me invade é de tristeza. O que aconteceu com essa gente que conheci quando de fato havia censura no Brasil e uma ditadura a combater? Por enquanto, não é o caso por aqui, embora conspirações nesse sentido venham de todos os lados. Há até quem defenda um golpe para impedir um golpe. OK, maluquice é pra isso mesmo, pra não se entender. Mas é justo lembrar que o maior acusado de não suportar liberdade de imprensa recebe todo dia a mais inédita campanha corrosiva movida pela grande mídia. Caramba, que tipo de censura governamental burra permite isso?

Dia sim, outro também, com bons e maus modos, o presidente fala ao reportariado de plantão na sua porta, hábito que os antecessores do lulopetismo definitivamente não cultivaram. Nas raras vezes em que receberam supostos jornalistas, em quase 14 anos, os convites só chegaram aos blogs companheiros, sustentados com recursos federais. Outra hipocrisia descarada é reclamar de restrições à liberdade de opinião.

Fiquemos num caso. O insano decano do STF coloca o Brasil no patamar do nazismo e das mais abjetas intolerâncias raciais, e nada acontece. Continua tocando inquéritos contra o governo que, em sua cabeça avariada, levou o país a essa situação. Não se considera impedido e, de fato, está a salvo de tomar um processo mais do que justo. Porque, nesse caso sim, é proibido falar mal dele.

Desviei, mas volto ao meu assunto, que são as pessoas que conheci em outros tempos, quando estávamos do mesmo lado e só podíamos ser todos muito inteligentes, dotados dos melhores propósitos, carimbados com o selo de cidadãos do bem. Estávamos do lado certo, e isso não se discutia. Era maravilhoso, mesmo que de verdade não houvesse outro lado a escolher. Só que a ditadura militar acabou, a democracia abriu novos horizontes e surgiram possibilidades além do preto e do branco. De lá para cá, só o que se exige das pessoas é que tenham capacidade de raciocinar com a própria cabeça.

Mas, como se vê, não está fácil. O esforço mental, demasiado para tantos, revela-se insuperável para a turminha bem bom do pensamento único.

Alerta de utilidade pública

Sexta-feira à tarde, à caminho de Itupeva, abasteci o carro com gasolina comum num posto da avenida Marquês de São Vicente, em São Paulo. Abasteci, não. Pensei que abasteci. Vi o frentista colocar a mangueira na entrada do tanque do carro, me distraí com outras coisas e, pouco depois ouvi o barulho do desligamento automático da bomba. Conferi a conta (99,86 reais), paguei com o cartão e dei 5 reais de gorjeta para o rapaz que me atendeu. Nem me ocorreu olhar para o painel e ver se realmente o tanque estava cheio.

No meio do caminho, mais ou menos 40 quilômetros pela Rodovia dos Bandeirantes, olhei casualmente para o marcador e vi o ponteiro lá em baixo. Acredito tanto na honestidade das pessoas que meu primeiro pensamento foi: o marcador está com defeito. Preciso ver isso. Na entrada de Itupeva, já com a luzinha de alerta acesa, parei em outro posto para ver se alguém conseguia balançar o tanque e fazer o ponteiro se mover. Santa ingenuidade, Batman!

A moça que me atendeu, mais esperta, sugeriu que eu tentasse encher o tanque de novo. Surpresa! A gasolina entrou que só vendo, e o ponteiro subiu que foi uma beleza! Deu 170 paus e o tanque ficou cheínho. De uma bomba à outra, menos de uma hora e uns 70 quilômetros de distância. Que beleza!

Tempos atrás, já havia abastecido o carro ali, no posto que me encheu o tanque de vento. Pertencia a um cantor brega, que fez sucesso nos anos 1970. “Ele vendeu pra nós”, explicou o gerente com quem falei na manhã desta terça-feira e que me ouviu com cara de paisagem. Como continuo acreditando nas pessoas, não acho que houve um golpe deliberado. Talvez apenas uma falha da bomba.

O sujeito não fez qualquer menção ao necessário ressarcimento. Só quis saber quem foi o frentista, Eu disse que era melhor ele não tentar jogar a culpa no funcionário. Na verdade, nem cobrei a restituição do dinheiro. Preferi dizer a ele que tenho muito medo de gente capaz de fazer coisas como essa. E fui embora feito um otário. Apenas, por via das dúvidas, nunca mais entro lá.

(Em tempo: se o leitor for comprar um carro usado, numa dessas revendas multimarcas, vale a pena abrir o capô e conferir se o número do chassi é o mesmo da documentação. Como o Detran esteve fechado, pode não ser.)

JN achata a curva do mundo cão

Sob Mandetta, o Ministério da Saúde fazia o balanço tétrico da covid-19 no fim da tarde. Os números, entretanto, eram sempre parciais, porque alguns estados não enviavam os dados a tempo. Com isso, o Jornal Nacional toda noite informava os números oficiais e, em seguida, acrescentava alguns. Aqueles que quatro ou cinco estados, governados pela oposição ao governo federal, liberavam pouco antes do início do noticioso da Globo. Isso sugeria aos telespectadores que o Ministério, por algum motivo, queria diminuir a tragédia.

Não adiantava a autoridades informarem que o número oficial referia-se às informações recebidas nas 24 horas entre a véspera e aquela tarde. Nesse total, entravam dados do período anterior não fornecidos a tempo pelos estados que preferiam divulga-los no JN. Nunca se acusou esses governadores de tentar esconder sua tragédia.

Posteriormente, o governo federal modificou por algumas vezes o horário e o formato da divulgação dos dados da doença no país. O evento saiu, por exemplo, da sede do Ministério e foi para o Palácio do Planalto. Também ampliou o número de participantes da coletiva de imprensa, que passou a ser concedida às 19 horas, em determinado momento.

Agora, o governo entendeu que, por se tratar de balanço oficial, os dados só deveriam ser comunicados formalmente depois de recolhidos nacionalmente e checados. O que levou a divulgação para em torno das 22 horas. Se coincidiu de o novo horário não atender à pauta do JN, Bolsonaro gostou mais ainda.

Ao contrário de governantes que sempre privilegiaram a Globo, o presidente em exercício não faz questão alguma de acariciar sua algoz. Pelo contrário. Afinal, em qualquer horário, a TV Zorra Total vai sempre acusá-lo de ser o responsável único pela pandemia.

Bonner, em editorial na edição da noite passada, assinou recibo. Entre declarações desnecessárias, mas nunca confirmadas, de respeito ao telespectador, afirmou que passará a divulgar os números quando eles forem liberados pelo Ministério. Só de marra, só de birra – repetindo o comportamento de alguns ministros do STF -, quer porque quer impor sua vontade ao governo

Com isso, incluído o plantão (que na estreia interrompeu a reprise da novela), prorrogou o necrológio de toda noite para além das habituais cenas de corpos e caixões insepultos, covas abertas, corredores de hospitais e a justa lamentação dos parentes, exploradas com todas as cores do sensacionalismo barato.

Podia fazer isso no telejornal seguinte, como sempre fez com o noticiário posterior ao JN. Mas preferiu “achatar” o mundo cão do seu finado jornalismo. Quousque tandem?

 

As legendas trocadas e a falta que a Gazeta Esportiva faz

Que jornalismo é esse que chama arruaceiros de defensores da democracia e omite a queima da bandeira nacional?

A grande mídia “viu” no último domingo, na Avenida Paulista, em São Paulo, um confronto entre defensores da democracia e ruidosos fascistas. Essa foi, pelo menos, a narração dos jornalistas da grande mídia, modificando as cores das cenas captadas por fotógrafos e cinegrafistas. Pois, mesmo com a intervenção da edição, o que se observou de fato foi o contrário. As legendas foram trocadas.

De um lado, as pessoas vestiam tons verdes e amarelos, tinham idades variadas entre crianças e idosos,eram senhoras e senhores sem aparência bélica. Talvez houvesse alguma infiltração de brucutus mal intencionados, mas não escancarados. Uma gente que tem o hábito de se reunir ali nas tardes de domingo, para reclamar da forma como o governo estadual conduz o combate à pandemia. Esse é o grupo que foi descrito como fascista.

Do outro lado, em clara mobilização para o confronto, bandos há muito conhecidos dos paulistas. A horda violenta das maiores torcidas uniformizadas dos times de futebol de São Paulo ameaçava reprisar o que costuma fazer nos estádios e por todo canto da cidade, mesmo quando seus times não estão jogando: brigar entre si, ferir, machucar e, com triste frequência, matar adversários. Estes eram os defensores da democracia, na versão jornalística.

A qualquer pessoa que já passou pelo menos uma semana na cidade não se permite ignorar a natureza criminosa das chamadas torcidas organizadas ou uniformizadas do futebol paulista. Domingo, elas unificaram o verde, o tricolor e o preto e branco de seus times nas roupas negras que escolheram usar “em defesa da democracia”. Vestiram-se de fascistas para atacar alegado fascismo, e dedicaram-se alegremente aos seus folguedos habituais.

Com frequência, em defesa dos profissionais que assinam as mentiras publicadas pela grande mídia, argumenta-se que são trabalhadores cumprindo ordens patronais ou das chefias. Trabalhadores que tentam preservar o emprego. OK! Concordo que quem não quer cumprir ordens indesejáveis deve procurar outro departamento de pessoal para entregar a carteira do trabalho. Até admito que, na minha carreira, tive de engolir e expelir alguns sapos. Mas de ninguém se exige que seja mais realista do que o rei. É possível distorcer a notícia e ludibriar o público com dignidade, diria um cínico amigo meu.

Alguma dúvida sobre a parcialidade da grande mídia? O mesmo fim de semana foi pródigo em evidenciar a vergonheira. Sábado à noite, em Brasília, aconteceu uma deplorável manifestação bolsonarista diante do STF. A TV mostrou, como deveria fazer, as cenas repugnantes da cambada enfurecida (não volumosa, felizmente) vestida de preto, encapuzada e portando tochas

Sobraram, nas descrições “jornalísticas”, comparações com as manifestações dos nazistas alemães, na noite dos longos punhais, e com os supremacistas brancos da Ku Klux Klan norte-americana. O Fantástico fez até um competente trabalho de pesquisa, recuperando imagens dos anos 1930 e 1960, para mostrar a ação desses grupos intolerantes. Tinha algum sentido, apesar da acintosa forçação de barra em que embarcou até o ridículo decano. Além do que, ninguém se deu conta de que os racistas da terra de John Wayne vestem branco.

Mas o detalhe não tem importância. Grave foi o silêncio a respeito de outra manifestação, em sentido contrário, que ocorreu em Curitiba, duas noites depois. Na capital paranaense, jovens saudosos das balbúrdias de 2013 saíram em protesto contra o governo federal. Como de praxe, destruíram a pau e pedra tudo o que encontraram pelo caminho, principalmente as mais vistosas vitrinas.

A novidade foi que, no embalo, nossos antifascistas se depararam com uma bandeira nacional e, lépidos, providenciaram o arriamento. Assim surgiu a fogueira que – no dizer de um emocionado, inspirado, lírico e, desnecessário dizer, militante jornalista amigo meu – iluminou a “festa da democracia”.

Tais fatos edificantes, contudo, não ocorreram para quem se “informa” pela grande mídia. O ato cívico da queima da bandeira foi apagado pelo Grande Irmão e devidamente ”cancelado”, de forma a – que pena! – não poder mais ser denunciado pelo Ministério Público e investigado pela Polícia Federal. Nem dele se ocuparão os zelosos Alexandre e Celso, do STF. Pois, como dizia um falecido jornal, “se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu”.

A pauta conjunta da Globo com o Datafolha

Não fosse braço do Grupo Folha, o que já lhe confere o atestado de militante incansável, o DataFolha vem se esmerando na associação ao Jornal Nacional para a produção de “notícias” tendenciosas. Fake News mesmo ou factoides, como queiram. Para muitos, poderia parecer coincidência ou imposição de suposta realidade. Mas não para quem entende um pouco do baralho, como dizia o astuto treinador de futebol Rúbens Minelli. De verdade, quem tem olhos de ver, ouvidos de ouvir e cabeça de pensar logo identifica a associação em um crime que seus autores consideram perfeito. A vítima é a opinião pública e o delito, a lesa informação, a distorção do noticiário.

Vejam como funciona. Durante uma semana, sem descuidar de outras pedras disponíveis para atacar o governo, o principal jornalístico da TV BBB concentra a fuzilaria em determinados temas. Por exemplo: a denúncia do ex-ministro Sérgio Moro sobre suposta tentativa do presidente de interferir na Polícia Federal. Não há uma mísera prova a corroborar a afirmação do demissionário, que chega a se desdizer no depoimento à polícia (Bolsonaro não cometeu crime, admitiu quando obrigado a não mentir). Mas a emissora mantém o assunto em evidência durante dias, sem apresentar um fato novo. Apenas repete falas e cenas que nada comprovam. São reprises de opiniões oportunistas dos loucos pela chance da aparecer em rede nacional.

Logo surge a razão de tanto “vale a pena ver de novo”. O Datafolha produz nova pesquisa e nela embute a pergunta: quem fala a verdade: Moro ou Bolsonaro? Tabelinha a la Pelé-Coutinho, só que suja e feia, e não bonita e limpa, como as alvas camisas usadas pelos craques santistas. Uma vergonheira.

Outro exemplo. Noite e noites, o jornal da TV Zorra Total ataca o programa de ajuda do governo federal às pessoas mais prejudicadas pela pandemia. Encontra todo tipo de erros na definição dos beneficiários (sempre, claro, ouvindo aqueles “especialistas” que tudo sabem criticar, abstraídos da circunstância de que lidamos com uma situação absolutamente inédita e desafiadora, e incapazes de sugerir alguma solução) e vê falhas na distribuição dos recursos destinados ao programa. São filas enormes diante das agências da Caixa, são atrasos injustificáveis na liberação da ajuda, são queixas de gente desesperada por receber aquele mínimo tão essencial.

No mesmo tom, critica a demora na liberação do amparo aos pequenos empreendedores, que em grande parte fecharam seus negócios, incapazes de se sustentar sem entradas no caixa. Em nenhum momento o noticiário lembrou tratar-se de um fenômeno mundial, que praticamente nenhum governo conseguiu encarar com sucesso. Seria, na forma como foi apresentada, mais uma demonstração de incompetência do governo. Incapaz de enfrentar o covid-19, bem como ninguém mais em todo o planeta (aliás, nem a tal ciência, vale sempre a pena lembrar), nossas autoridades federais não conseguem tocar em situação de guerra algo tão simples como uma economia em frangalhos, depauperada antes pela corrupção do lulopetismo.

Chega a nova semana e o instituto que previu a vitória petista em 2018 faz a parte dele e tira do forno outra pesquisa de opinião feita pro jornal dos Trapalhões (já notaram como toda as noites os apresentadores são obrigados a pedir desculpas pelas falsas informações mais evidentes?). E, entre dezenas de perguntas cabíveis ou não feitas por telefone a uma amostragem ridícula de brasileiros, lá estão: Qual a sua avaliação da economia durante a pandemia? O que acha do desempenho do governo na área econômica?

Sou incapaz de afirmar de que lado partem as ideias. Se é a TV que propõe ao Datafolha os temas que devem entrar no questionário ou se é o inverso: “Vamos incluir na próxima pesquisa tais assuntos. Preparem o terreno”. Pode ser até que a pauta seja discutida em conjunto, o que é mais provável. A única certeza é que a combinação existe, e é safada.

Não por acaso, numa semana em que se intensificou o embate entre os três poderes (dois contra um, mais exatamente), a pesquisa ouviu a opinião da população, melhor dizendo, de seu ridículo universo de 2.069 pessoas, sobre o prestígio do executivo e do judiciário. Possibilitou a manchete revelando que ambos cresceram, enquanto o do presidente caiu. Daí a perguntar também sobre o impeachment, inclusive a hipótese de renúncia, nunca sequer especulada, foi um passo. O problema para a dupla de manipuladores de informações (atenção, Alexandre do STF: nada a fazer sobre isso?) é que nem sempre dá o resultado esperando, como aconteceu nos dois casos.

Nenhum contratempo, porém, breca essa gente que gosta de brincar com os brasileiros. O Datafolha pesquisou, e o jornal da Zorra Total divulgou, a avaliação dos governadores pela população dos respectivos estados. Depois, juntou tudo, bateu no liquidificador e deu uma nota para o conjunto. Mesmo em queda, eles seriam aprovados por 50%, bem acima do presidente Bolsonaro (de acordo com essa pesquisa). A empulhação é inacreditável.

Como somar a avaliação de pernambucanos, amazonenses, mineiros, cariocas, catarinense, paulistas etc., tirar a média e anunciar daí um resultado comum? Alguém acredita que Dória e Witzel, apenas dois exemplos, são admirados por metade dos cidadãos dos respectivos estados? É o que Folha e Globo querem nos fazer crer, ao propor tamanha estultícia. Seria como a temperatura média do corpo colocado metade dentro, metade fora do forno.

Se são capazes de tal falsidade, haverá alguma verdade no restante do noticiário que transmitem a leitores e telespectadores?

Toda semana, a esquerda elege um mito. Alexandre é o da vez

O atual ministro do STF, ex-advogado do PCC, dá forte contribuição aos “cancelamentos” determinados pela militância resistente

A nova prática de intolerância da inteligência esquerdista chama-se “cancelamento”. O nome foi dado pela própria turminha. Na impossibilidade prática de utilizar o paredón, justiçamento que invejam nos governos ideologicamente afinados, e atentos ao risco de utilizar contra adversários políticos o mesmo cala-boca usado contra o companheiro Celso Daniel, adotam esta forma de exterminar pessoas: a destruição moral via manifestos assinados pelos mesmos de sempre e os ataques sem dó nem piedade nas mídias sociais.

É tiro e queda, como literalmente aconteceu recentemente com a atriz Regina Duarte e, nestes dias, com o professor Pedro Almeida, curador do Prêmio Jabuti, cuja demissão foi aceita pela Câmara Brasileira do Livro, pressionada por um abaixo-assinado de auto intitulados intelectuais. Ambos cometeram “crimes” inaceitáveis. Regina apoiou a eleição do atual presidente e ocupou o cargo de secretária de cultura, num governo que acabou com os cabides de emprego na área e com a farta distribuição de recursos públicos para “artistas” incapazes de se sustentar com o próprio trabalho. E/ou saudosos das tetas federais.

A atriz era no máximo tão incompetente quanto seus antecessores petistas no Ministério, com a vantagem de não ter praticado qualquer ato de corrupção. Foi violentamente atacada inclusive por uma ex-colega, atriz opaca, de brilho incomparavelmente menor, defensora do isolamento num belo apartamento, sustentado por pensão vitalícia que lhe foi deixada pelo pai e paga pelo nosso dinheiro. Para manter a moleza, bastou não se casar com qualquer dos maridos que teve. À fraude vergonhosa junta a mais inacreditável cara de pau.

Já o pobre Pedro cometeu a insensatez de criticar a política de isolamento no combate à pandemia e ainda colocar essa opinião em espaço pessoal na internet. A reação foi instantânea: do sábado da publicação do post até a segunda-feira seguinte, ou seja, em 48 horas, já estava soterrado por uma avalanche de impropérios. Deu até tempo de circular um alegado abaixo-assinado, capaz de reunir supostas oito mil defensores do fuzilamento. O que dá a medida da agilidade deles quando se trata de maltratar alguém.

Não adiantou chorar, espernear, ajoelhar-se e jurar que nunca mais voltaria a praticar tal heresia, então já devidamente apagada do blog, e humilhar-se até além do limite. Em vão, declarou-se gay e tão de esquerda quanto seus algozes. Na quarta, o professor já havia sido levado a pedir demissão, prontamente aceita pela direção da CBL. Hoje, quem é Pedro Almeida? Ele está “cancelado”.

A prática recebe agora a colaboração militante do STF, na figura execrável do ministro Alexandre de Moraes, ex-advogado da organização criminosa PCC, a mais sanguinária entre as que controlam os presídios brasileiros. Na sanha de virar protagonista da disputa política que se desenrola no país, e levar junto a honra da corte, o ministro indicado por Temer (Alexandre, como é chamado por Moro) declara guerra ao governo e expõe os apoiadores de Bolsonaro aos abutres. Como se a opção política dessa turma fosse mais condenável do que a dos cúmplices das falcatruas do lulopetismo: as maiores empreiteiras do país, a JBS e seus dirigentes bandidos, o grupo malandro de Eike Batista e as “empresas campeãs”, escolhidas por Lula para “carregar” o país, em troca dos mais escandalosos benefícios financeiros.

Não por acaso, já corre pelo facebook e outras mídias eletrônicas uma lista de companhias que devem ser boicotadas pelos consumidores, na opinião dos “canceladores”. Ou seja: o ministro tenta matar e a esquerda tenta esfolar. Não pode ser só a estupidez que junta e mobiliza essa cambada!

Como será nosso admirável mundo novo?

Que o mundo, as pessoas e as sociedades serão diferentes do que se tem até agora parece fora de dúvida. Os otimistas acreditam na prevalência do bem. Teríamos aprendido que só a solidariedade, tal como foi exercida nos últimos meses até pelos bancos, vejam só, nos levará a uma vida melhor e em paz com a consciência. A humanidade, enfim, se encontrará e reduzirá as injustiças. Dará atenção ao sofrimento dos desvalidos.

Bonito! Mas os pessimistas acham, pelo contrário, que o egoísmo se exacerbará. Desde as cavernas, o homem defende o seu lado, na base do este porrete é meu, e será ainda pior daqui para a frente. A maldade às vezes se recolhe diante de ameaças comuns, mas apenas hiberna no fundo dos corações. Aquecida pela ausência de medo, voltara mais forte.

É evidente que a profundidade da mudança depende da duração da pandemia e dos estragos que provocará. Quanto mais perdurar, sem reposta eficaz da ciência – por enquanto tão surda à invocação dos defensores das mais desencontradas medidas de enfrentamento e tão perdida quanto os governantes –, mais profunda será a transformação.

Para melhor? Para pior? Não me arrisco a responder a indagação tão transcendental. Mas, sem aderir ao pessimismo, penso que as pessoas tenderão a buscar a autossuficiência, pelo menos face às necessidades corriqueiras, como a alimentação, o vestuário e a higiene pessoal, por exemplo. O homework inclui muito homemade, e ambos podem ter vindo para ficar e balizar o novo cotidiano em gestação.

Por aqui, parte dos 30% que podem se dar ao luxo de aderir às propostas de alguns governadores e obedecer gostosamente ao “fique em casa” (desde que, é claro, os outros 70% lhes garantam comida boa, lazer doméstico e roupa perfumada) viram aflorar talentos insuspeitados. Quem nunca colocou água pra ferver e tem certeza de que o cafezinho vem das máquinas nespresso, orgulha-se agora de preparar crocantes pães, deliciosos bolos, maravilhosos risotos. São máster chefes das galáxias.

Há até quem, no afã de confeccionar as próprias máscaras, no início escassas, descobriu os mistérios da costura. Não fazem feio na produção de pequenas peças de roupa e, neste exato momento, ganham confiança para abrir uma confecção. Outros avançam na alquimia e, de tanto usar e cheirar álcool 70º, arriscam a mistura com algumas essências e consideram satisfatório o resultado. Na persistência, periga descobrirem afinal a tão esperada vacina.

Menos sofisticados, mas de aplicação mais prática, surgem no recesso de milhares de lares brasileiros milhares de novos barbeiros, manicures, maquiadores e cabeleireiros. Pois, que me desculpem os muito confinados, beleza é fundamental. E porque hoje sábado, ou véspera de feriado, para essa gente.

Nem as ministras e os ministros do STF abrem mão de melenas bem penteadas e de bigodes aparados na medida certa, como se vê em suas aparições diárias na TV. O que lança no ar uma questão intrigante. Se não encontraram solução caseira, estariam se valendo dos fígaros contratados pela corte para atender suas necessidades do dia a dia? Então, aquelas sessões remotas do colegiado presidido pelo sempre engomado Toffoli seriam só encenação dos queridinhos do Weintraub? Que coisa!

Mas aí saio do tema deste texto. O que eu imagino é que a moda do homemake, o velho feito em casa, a produção caseira, a solução própria, pode permanecer além da pandemia, tanto quanto o trabalho a distância se tornará mais regra do que exceção. Alguns amigos juram que nunca mais entrarão em um restaurante, do mais estrelado ao trivial quilão. Pra quê, se o meu espaguete ao vôngole dá de mil no deles? Se a rabada com polenta da patroa não tem concorrência?

Pois é? Quem irá se dispor a marcar hora no salão, para fazer o que tem em casa com mais conforto e carinho? A segunda onda da crise pode ser bem pior!